Dia Mundial da Luta Contra o Cancro: porque a nutrição faz mesmo a diferença

O Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, assinalado a 4 de fevereiro, é um momento para refletir sobre a doença e sobre tudo o que pode contribuir para melhorar a vida de quem a enfrenta. Para além dos tratamentos médicos, há um fator essencial que nem sempre recebe a devida atenção: a nutrição.

Hoje, é claro que o cancro tem um impacto negativo comprovado no estado nutricional do doente oncológico. Ao mesmo tempo, sabe-se que a nutrição influencia o desenvolvimento da doença, a sintomatologia associada, a resposta às terapêuticas e a recuperação após o tratamento — com um impacto direto na qualidade de vida e no prognóstico.

O corpo muda, e a alimentação precisa de se adaptar

Uma curiosidade que muitas pessoas desconhecem é que o cancro pode alterar a forma como o organismo utiliza energia e nutrientes. Estas alterações metabólicas fazem com que, mesmo quando a ingestão alimentar parece suficiente, o corpo não consiga responder às suas necessidades.

A isto juntam-se sintomas frequentes como:

  1. Falta de apetite
  2. Alterações do paladar e do olfato
  3. Náuseas, vómitos ou dificuldades em engolir
  4. Cansaço persistente

 Tudo isto contribui para a perda de peso e de massa muscular, tornando essencial uma abordagem nutricional adequada e ajustada a cada fase da doença.

Alimentar-se bem ajuda a enfrentar os tratamentos

Um bom estado nutricional pode ajudar o organismo a tolerar melhor os tratamentos oncológicos, a reduzir alguns efeitos secundários e a recuperar de forma mais eficaz. A nutrição deixa, assim, de ser apenas um apoio e passa a integrar o próprio plano de cuidados.

É por isso que a avaliação nutricional, o aconselhamento alimentar e, quando necessário, a suplementação devem fazer parte de uma intervenção estruturada e baseada em conhecimento científico.

Da prevenção aos cuidados mais especializados

A nutrição em oncologia não se limita ao tratamento da doença. As recomendações alimentares para a prevenção do cancro continuam a ser fundamentais ao longo da vida. Em contextos como os cuidados paliativos, a nutrição foca-se no conforto e no bem-estar. Já no caso das crianças com cancro, exige uma abordagem ainda mais específica, adaptada às diferentes fases de crescimento e desenvolvimento.

Formar para cuidar melhor

A crescente complexidade da nutrição em oncologia reforça a importância da formação especializada nesta área. Compreender as alterações metabólicas da célula cancerígena, saber avaliar o estado nutricional, definir intervenções adequadas e aplicar protocolos nutricionais ajustados a diferentes contextos são competências cada vez mais valorizadas.

É neste sentido que o Curso de Formação Nutrição e Dietoterapia Oncológica assume um papel fundamental, capacitando profissionais e cuidadores para uma intervenção mais informada, consciente e centrada na pessoa.

Neste Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, lembrar a importância da nutrição é também reconhecer que cuidar passa por saber intervir, acompanhar e formar — sempre com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de quem vive com a doença.